Então, quais são os 25 melhores de 2007...

Bem-vindos a mais uma listagem do melhor que se editou este ano no campo da música moderna e urbana. Aqui ainda uso o conceito de álbum - uma dúzia de temas, mais coisa menos coisa, lançados ao mesmo tempo em CD, em vinil e em MP3 nas lojas online. Alguns de nós ainda os imaginamos como tendo uma capa distintiva, com as letras, com dedicatórias, cheios de signos escondidos que só os conhecidos do autor conseguem decifrar, cheirando a plástico e a papel impresso. E que, por serem objectos tácteis, mais facilmente conquistam a nossa afectividade ou rejeição. Assim, afinal há algo mais que a música nesse objecto. Para uma nova geração contudo basta-lhe o ficheiro digital. Sem dramas afectivos, pois é a música o que realmente importa! Mas a verdade é que ainda podemos falar da edição de um álbum longa duração como o momento em que o(s) artista(s) anúncia ao público o producto das suas ideias e se sujeita - aí está - à critica.
Foi um bom ano musical este de 2007, mas antes de vos apresentar os 25 melhores tenho de referir aquele que seria o número 1 caso tivesse sido editado em 2007: trata-se do magistral "Movie Monster" dos texanos SOUND TEAM, trabalho de 2006. Pena que só tenha tido contacto com ele este ano.

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Mas vamos lá a isto:

25

BLONDE REDHEAD "23"
Álbum onde estes nova-iorquinos desenvolvem os seus ambientes tensos e em crescendo, com melodias a funcionarem como linhas de uma barricada entre o sensorial e o onírico. O concerto no Coliseu em Novembro confirmou o poder desta banda que já leva 12 anos nos palcos.

24



ELECTRELANE "No Shouts, No Calls"
Bom trabalho das meninas ELECTRELANE, embora bem melhores em estúdio que ao vivo, estas inglesas trazem-nos memórias de um trip-low-fi carrgado de influências dos anos 90. Importante ouvir.

23

EBB "Loona"
Belo trabalho de um sueco do norte da suécia perdido na sua Estocolmo. Musica dos ambientes brancos aquecida por estímulos electrónicos. Um disco especial.

22

!!! "Myth Takes"
Os !!! são únicos. Não só no nome, toda a sua obra e postura aponta novas fronteiras para o rock moderno. Noutros tempos seriam venerados, nos cínicos dias de hoje são apenas brilhantes.

21

M.I.A. "Kala"
Eis a nossa terrorista favorita. Ok, é só filha de um guerrilheiro Tamil (Sri Lanka) e há muito está redicada em Inglaterra. Depois do bombástico "Arular", MIA regressa com este trabalho mais produzido e - digo eu - ponderado. E ainda bem pois é o seu melhor.

20

SIMIAN MOBILE DISCO "Attack, Decay, Sustain, Release"
Na disputa pela liderança pelo hype nas pistas de dança dos clubes mais fashion, três nomes sobressairam ao longo do ano: os franceses JUSTICE, os germânicos DIGITALISM e estes senhores ingleses com um nome algo tótó de SIMIAN MOBILE DISCO. E se este hype em torno das sonoridades dirty-disco-anything-goes foi um pouco de usar e deitar fora, os SIMIAN parecem-me os únicos dignos de referência. E muito boa.

19

GOOD SHOES "Think Before You Speak"
100% ingleses, na música, nas letras, na angústia urbana e na agressividade amolfadada de quem apenas se quer fazer ouvir. Os GOOD SHOES lançaram este ano o seu primeiro trabalho e está lá tudo o que deve estar num primeiro disco.

18

STUDIO "West Coast"
De novo na Suécia para falar de uns senhores que criaram um álbum extraordinário baseado no desejo de compor para uma costa imaginária. Eles falam na costa oeste mas ao ouvi-los sentimo-nos mais próximos de costas menos mundanas e mais férteis em história, talvez o Mediterrâneo. Guitarras "sunset" sobre suaves loops house. Magnifíco.

17

FEIST "The Reminder"
Um belo trabalho de miss Leslie Feist. Mais elaborado e denso que "Let It Die", o que fez dele um álbum com menor visibilidade, mas que se redescobre audição após audição.

16

MUDD "Claremont 56"
Este trabalho do productor Paul Murphy, aqui com o alterego de MUDD, é já um paradigma do high-way-chill-out, com sonoridades envolventes e contagiantes. Electrónica na sua forma mais sedutora.

15

THE FIELD "From Here We Go Sublime"
De novo a suécia! Axel Willner e a sua formalidade electrónica em estado artístico puro, o techno progressivo sem receio do crescendo, sempre procurando o climax que já conhecemos, perseguimos e não queremos atingir. Trabalho incontornável de 2007.

14

DJ VADIM "The Soundcatcher"
De novo DJ VADIM dá cartas na produção Hip-Hop. Os seus trabalhos possuem sempre um toque visionário, sintetizando o seu tempo e lançando as bases futuras. Não teve a atenção merecida este ano, contudo há aqui temas fortíssimos, inclusive para escalar os tops.

13

APPARAT "Walls"
O esteta electrónico do ano! Disco impressionante deste produtor germânico que não prescinde da melodia enquanto instrumento de abstracção. Audição obrigatória.

12

BEIRUT "The Flying Club Cup"
Eis o ansiado segundo trabalho de Zach Condon e dos seus Beirut. Enamorado pela Europa e encantado pelo futebol, delicia-nos com mais um grande álbum, embora já não traga a surpresa e o choque de "Gulag Orchestra".

11

LANU "This Is My Home"
Há magia e excitação neste disco do neo-zelândes Lance Ferguson, o nome por trás do pseudónimo LANU e membro dos THE BAMBOOS, outro dos grandes lançamentos de 2007 com o álbum "Rawville". Contudo é a solo que a sua produção atingiu um patamar elevado na fusão do tropicalismo com a malha jazzistica de uma big band de lata. Maravilhoso.

10

INTERPOL "Our Love To Admire"
A eloquência e o sentido dramático de uma rock-band que se quer clássica. Cada instrumento é uma voz, minociosamente trabalhada, sendo eles os eixos estruturantes do magnifício trabalho destes nova-iorquinos (e não americanos!).

9

ARCTIC MONKEYS "Favourite Worst Nightmare"
De fenómeno juvenil à maturidade precoce. Excepcional trabalho destes rockers ingleses, recuperando uma atmosfera brit-pub-dark-rock, sem o contexto da crise industrial da época Tatcheriana, mas atentos à envolvente do mundo que às vezes parece de certa maneira o "nightmare" do título.

8

OF MONTREAL "Hissing Fauna, Are You The Destroyer ?"
Um álbum impressionante saído da mente de um americano - Kevin Barnes - em sintonia canadiana. O paradigma da banda independente, com uns bons 10 anos de percurso e que aqui atinge o seu o pico criativo.

7

THE NATIONAL "Boxer"
Os The National são um daqueles casos que não conseguem fazer nada mal, mesmo que tentem "screw up everything". Os nossos americanos melancólicos preferidos.

6

ARCADE FIRE "Neon Byble"
Depois do super-hype com o seu primeiro trabalho (muito empolado na minha opinião), os canadianos regressam agora sim com uma obra-prima. Épicos e mobilizadores, os Arcade Fire têm um lugar especial na música actual.

5

JENS LEKMAN "Night Falls Over Kortelada"
Magnífico porque fantasioso, ligeiro porque emotivo, pop porque pop. Jens canta-nos como se lesse as cartas que envia aos amigos. Mais um ponta de lança do "swedish touch".

4

ELEKTRONS "Red Light Don´t Stop"
Já chamados de novos Basemant Jaxx, os "manchesterianos" Elektrons fogem ao paradigma do dub-step e seus derivados sombrios em vigor na noite de Londres e recuperam a fun-soul com influências jazzistícas e vozes femininas. E bem! Um disco viciante.

3

KLAXONS "Myths Of The Near Future"
Incontornáveis este ano, criadores do pseudo género nu-rave, os britânicos Klaxons geraram um culto sedimentado em torno deste trabalho. Loose-Rock-Electro-Psicadelico-Dance e muito ruído bom dado ao mundo.

2

LCD SOUNDSYSTEM "Sound Of Silver"
Pelo terceiro ano consecutivo há um trabalho do nova-iorquino James Murphy no meu pódio de "best of" do ano. Excelente álbum, esfuziante concerto no Super Bock Super Rock, os LCD são o navio-almirante da música moderna.

1

MATTHEW DEAR "Asa Breed"
Brilhante, hipnótico, simples, introspectivo e...dançável. Sonoridades viciantes as deste texano, com beats que andarão por aí por muito tempo. Estejam atentos às bandas sonoras de tv, cinema, publicidade e a tudo o que peça a companhia de música inteligente.